quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Querer é poder?


Ainda hoje, depois de quatro anos - pasmem: q.u.a.t.r.o a.n.o.s -  escuto muitos comentários do tipo: “Puxa, como você teve coragem de largar um emprego público e seguro na Suíça?” Antes, isso me deixava muito constrangida, mas no presente (embora às vezes esse papo furado ainda me irrite), consigo entender melhor esses tipos de comentários. Geralmente quem crítica, nunca toma decisão alguma na vida, ou  corre qualquer risco. Desde que comecei a trabalhar na Suíça, mudei a cada dois anos de emprego e progredi em todas as oportunidades, ou seja, só somos capaz de pensar assim, quando não conseguimos sair da situação de conforto e aceitar que outras pessoas podem, e o que é melhor: saem!

Querer é poder?

De forma alguma. O querer apenas nos ajuda a localizar onde precisamos desenvolver/evoluir para alcançar nossos objetivos. Eu passei alguns anos “querendo” realizar coisas que achava ser importante pra mim, mas nunca tinha parado para me organizar e criar um plano estratégico. A disciplina foi sem dúvida essencial, mas antes dela, aprendi que a única forma de integrá-la com êxito na minha estratégia, seria através da razão. A razão é a “mágica” particularidade que nos diferencia dos animais não-humanos, logo, o único impulsor/agente que nos leva a alguma mudança duradoura e contínua.

Comecei como vendedora em uma pequena boutique em Zurique, a ao deixar as vendas, sai com um ótimo currículo conquistado no segmento de High and Luxury Brands, ou seja, eu nunca parei pra analisar a vida de ninguém, ou me comparar com qualquer que fosse a pessoa e situação – confesso às vezes ter me inspirado em pessoas que eu admirava, mas nada além disso.

O mesmo aconteceu em relação a minha decisão de iniciar uma faculdade via internet. Foram tantos os pitacos maldosos, que se fosse uma pessoa fraca, teria desistido na primeira semana. Mas continuei firme, pois, para o meu novo “projeto de vida” eu precisaria do português, tal qual do alemão, e essa era a única faculdade que me daria a chance de fazer as provas presenciais aqui na Suíça.

Contudo, estou mais perto do que nunca de conquistar mais um degrau em direção a minha individuação/realização e  embora super atarefada, fazendo dois cursos: um na Suíça (presencial) na área de integração intercultural, e o outro na Unigran de Letras (5° semestre), nunca cresci tanto como pessoa e me sinto privilegiada de estar tendo saúde e garra para viver essas fantásticas experiências, e detalhe: se não fosse a faculdade brasileira via internet, eu não teria tido as chances que tive na área que eu tanto queria: interculturalidade/interculturalismo. 

E o mesmo se aplica a fazer uma faculdade ou universidade aqui, o lance e só encarar. Há muita gente competente - e pasmem, novamente: com diploma brasileiro, que já fez, faz e a.c.o.n.t.e.c.e.m. Lembro-me sempre de uma conhecida, que quando dizia que estudava direito em Zurique, os brasileiros caíam matando, e os comentários eram sempre os mesmos: “Isso só pode ser mentira, com diploma brasileiro aqui, não se pode estudar na universidade”. Agora me pergunte, quem falava isso, era quem estava ocupado correndo atrás da sua realização profissional? Claro que não. Ano passado recebi as fotos da formatura dela (vibrei com todas as forças), mas vi muita gente ter que engolir "a seco e sem sal" seus comentários.  


Meu recado para você que fica aí criticando e reclamando: Voe com as asas que você tem, faça o que for possível onde você estiver; aceite as mudanças/desafios como partes de um joguinho chamado: “Ganha-Ganha” e siga em frente a procura da sua própria realização pessoal.